domingo, 16 de novembro de 2008

Lei Maria da Penha – para homens


Acabo de assistir a matéria na TV, relatando um caso de violência doméstica no qual o agressor é a mulher. O erro gramatical é proposital, já que normalmente associamos atos violentos ao sexo masculino. Mas isso vem mudando gradualmente, tanto que as cadeias femininas também já sofrem com superlotação.

O caso concreto mostrado na reportagem trata de um empresário, que juntou diversas provas das ameaças e mesmo de danos materiais causados pela ex-mulher. Pneu de carro lascado, e-mails ameaçadores, telefonemas. Ele se incomodou a ponto de buscar orientação de um advogado e este, que não é bobo, aproveitou-se da situação para assegurar a paz de espírito ao cliente, com uma ordem que impede que a suposta agressora chegue a menos de 500m de seu cliente, ou mesmo entre em contato com ele. Por enquanto, através de Medida Cautelar (sem caráter definitivo).

O incrível não é o objeto da Ação, pois tenho absoluta tranqüilidade em afirmar que não é o primeiro processo que trata de violência doméstica contra homem. No entanto, o embasamento jurídico utilizado – a Lei Maria da Penha – é o que fez com que as atenções se voltassem ao caso.

A citada Lei traz em seu texto, expressamente, a palavra MULHER. Já no caput do art. 1˚, lemos: “Esta Lei cria mecanismos para coibir e prevenir a violência doméstica e familiar contra a mulher, nos termos do § 8o do art. 226 da Constituição Federal, da Convenção sobre a Eliminação de Todas as Formas de Violência contra a Mulher, da Convenção Interamericana para Prevenir, Punir e Erradicar a Violência contra a Mulher e de outros tratados internacionais ratificados pela República Federativa do Brasil; dispõe sobre a criação dos Juizados de Violência Doméstica e Familiar contra a Mulher; e estabelece medidas de assistência e proteção às mulheres em situação de violência doméstica e familiar.”

Os motivos de sua criação são conhecidos de todos, mesmo aqueles que não são tão íntimos assim dos Tribunais pátrios. Mulheres são vítimas, em pleno século XXI, com freqüência espantosa, dos mais variados meios de violência, e os principais agressores são justamente seus maridos, namorados, companheiros. Infelizmente, as corajosas que denunciavam as agressões se viam depois convivendo com um monstro maior ainda, sedento por sangue, após ter sido exposto à autoridade policial. Pouco era feito e o desfecho, na maioria desses casos, era a morte da vítima.

Então, esta nova Lei, que entrou em vigor no ano de 2006 recebeu um “nome” homenageando uma das mulheres vítima de violência doméstica, que hoje precisa de uma cadeira de rodas para se locomover, graças às duas tentativas de assassinato intentadas por seu ex-marido, que primeiro simulou um assalto e depois a eletrocutou. Provada a intelectualidade e autoria dos crimes, o monstro ficou apenas 02 anos preso. Depois, graças às benesses de nosso sistema, ele foi colocado em liberdade, livre para fazer novas vítimas país afora. Frise-se que se trata de um estrangeiro, que nem sequer pode ser expulso do país, também graças ao que rezam as Leis brasileiras.

Após esta pequena digressão, voltemos ao agredido, à vítima masculina. Percebam que até a palavra vítima é substantivo feminino, é como se nos caísse melhor esta definição, de agredida, sucumbida, rendida. Ver um homem nesta posição nos causa, de início, risos. Mas basta refletir alguns minutos, usar a sensibilidade feminina, para entender a posição deste pobre homem que, de tanto sofrer, buscou ajuda, como qualquer mulher vítima de violência doméstica.

Como jurista duvido apenas que seja realmente necessário lançar mão especificamente da Lei Maria da Penha para proteger este agredido. Acredito que temos meios legais suficientes para que um bom advogado consiga devolver a paz de espírito a seu cliente, mas não deixo de admirar a sagacidade do colega que conseguiu muito mais que uma Cautelar, ele chamou a nossa atenção para o fato de que tanto para homens quanto para mulheres ainda falta um longo caminho a ser percorrido, até sabermos o verdadeiro significado do RESPEITO AO SEMELHANTE.

domingo, 9 de novembro de 2008

Novas regras para Call Centers

Esta semana precisei utilizar os serviços de call center da Oi, American Express, TAM e Sky. Em que pese tratar-se de empresas muito diferentes em tamanho e área de atuação, uma coisa todas têm em comum: a central de atendimento por telefone frustra qualquer consumidor.
Primeiro porque antes de conseguir um ser humano na linha, você “conversa” com uma máquina, tentando fazê-la entender sua necessidade, e a comunicação aqui nem sempre é das melhores. Tenho certeza de que muitos se identificaram com o comercial de cerveja, no qual um pobre coitado tenta comprar seu bilhete para Bauru e termina com a emissão de passagem para Cocha bamba. Me senti assim também.
E o pior não é somente a URA (unidade de resposta audível), mas principalmente os “robôs” operadores de call center. Não é incomum que dêem informações erradas, desencontradas ou mesmo demonstrem impaciência diante dos questionamentos do consumidor. Não vou nem mencionar o amor incondicional destes profissionais ao gerúndio... Queria saber quem os ensina a dizer: estarei enviando, estarei transferindo, estarei aguardando, estarei confirmando. Irritante é pouco.
Bom, na Oi após diversas ligações para a central de atendimento do Oi fixo, Oi velox, Oi conta total e mais outros quatrocentos produtos diferentes, após árdua discussão com a URA, diversas ligações interrompidas, linha caída e etc, nada se resolveu. Queríamos contestar uma cobrança indevida de assinatura, mas até agora está no 5 x 0 para a Oi.
No American Express, para transferir a pontuação do membership rewards foi um sufoco, a ligação foi passada de um atendente a outro, todos tentando nos dissuadir a não transferir nossos pontos para o programa de milhagem da TAM. Os argumentos eram os mais diversos, e esdrúxulos possíveis. Enfim, transferência feita e R$ 36,00 cobrados por cada transferência (informação que até então desconhecíamos, apesar de clientes há quase 15 anos).
Na TAM além do sotaque de superioridade paulistano, tive que fazer um esforço sobre-humano para ajustar o meu raciocínio ao da ilustre atendente, que insistia em repetir que para adquirir bilhete com pontuação do cartão fidelidade TAM eu tenho um prazo mínimo de 3 meses e máximo de 7 dias. Não seria o contrário? Posso reservar os bilhetes com antecedência máxima de 3 meses da data da viagem, e mínimo de 7 dias? A criatura repetia que não. Ah ta, então se o máximo são 7 dias, então poderia pedir o bilhete a 3 dias da viagem? Nããão... Respondia ela, impaciente. Enfim cedi e desliguei o telefone, certa de que, mesmo com nova Lei e regras, o atendimento em si continuará sendo o mesmo que vem sendo prestado por estes robôs.
Por fim, sábado à noite, eu e meu Amor decidimos usar os pontos da Sky para ver um filme pay per view. Tela do site aberto, opções e não conseguíamos adquirir o filme com nossos zigs (moeda oficial do planeta Sky). Ele então liga para o atendimento e a atendente simplesmente dá a informação de que não tem nenhum filme do cine Sky disponível para compra com zigs. Muita conversa e suspiros depois, ela se informa com um supervisor e volta à linha dizendo que o filme será liberado de graça. Quem entende?!
As empresas terão até dezembro para adaptar o atendimento às novas regras. O que muda é assunto para um outro post... confesso que depois desta overdose estou reticente quanto a mudanças efetivas para melhorar o atendimento e respeito ao consumidor.

domingo, 2 de novembro de 2008

Homenagem ao Menino Que Voa

Costumo dizer que o tempo e acontecimentos fazem aumentar ou diminuir o amor que sentimos. Nos aproximamos de quem nos cativa, assim como nos afastamos daqueles que nos são indiferentes, ou nos machucam com atitudes e palavras.
Algumas pessoas passaram por minha vida e deixaram marcas profundas, momentos felizes os quais levarei comigo por toda a existência. E se somos seres eternos, como dizem, então esse sentimento que nutro por tantas pessoas (e cachorros), somente farão de mim alguém melhor ao longo de minha jornada.
Mas não vou negar que também existem pessoas as quais já amei mais, quando idealizava que não tinham defeitos, apenas amor em seus corações. Quando acreditava serem justas, sinceras, humildes. Isso foi há muito tempo.
Cresci, aprendi, vivi, errei e continuo errando, mas sempre tentando acertar, dar o melhor de mim. E, dentre meus erros, pode ser que esteja o de me dedicar somente àqueles que considero merecedores, como minha mãe. Com todos os seus defeitos sei que seu amor por mim é incondicional, assim como o meu por ela (mesmo que por milésimos de segundos ela chegue a duvidar dessa recíproca... coisa de mãe!).
Voltando ao assunto deste post... hoje quero homenagear um grande amigo, uma pessoa que a cada ano conquista mais um pouco de mim, da minha amizade e admiração. É aniversário do Menino Que Voa, e há poucos dias conversávamos sobre o início de nossa amizade...
Foi há 12 anos, ele estava se formando, vivendo o que eu somente experimentaria 05 anos depois, a sensação de dever cumprido e a pergunta: e agora? Ele começava a lutar por seu espaço no louco mercado de trabalho de Salvador, ainda despreparado para os formandos da primeira turma da FACS em RP, e eu fazia cursinho no Oficina. Saímos, logo depois de nos conhecermos, era a nossa primeira vez num restaurante japonês. De tão assustados, comemos o que de pior se pode comer num restaurante japonês: batata. Hilário. Até que, já no final da noite, buscando alento para nossa fome, resolvemos experimentar um filé, o que foi uma agradável surpresa. Não nos arriscamos com os pauzinhos, somente aprendemos como lidar com eles algum tempo depois, afinal, ele escorpiano e eu taurina com ascendente em escorpião, somos vaidosos demais para demonstrar em público a falta de familiaridade com algo tão banal quanto um par de hashi.
A amizade se consolidou quando ele e eu ficamos novamente solteiros e caímos na balada... nos redescobrimos, vimos que daquele momento em diante nenhum outro relacionamento ou ciúme de nossos parceiros seria capaz de se sobrepor à nossa amizade. Vivemos momentos de verdadeiro “grude”, nos víamos quase todos os dias e os telefonemas se multiplicavam. Com as facilidades da internet as contas de telefone diminuíram, ufa!
Até porque... hoje precisamos de no mínimo um DDD para nos falarmos por telefone, ou mesmo de um DDI às vezes, já que atualmente ele “mora” mais fora que no Brasil. Não estou esquecendo do Skype, mas é que ainda prefiro a criação de Gran Bell.
Quando ele me disse que havia decidido viver sua vida nas alturas, depois de cansado da exploração e falta de espaço no mercado baiano, tinha certeza de que daria certo. Ele havia amadurecido, tomado algumas pancadas e aprendido com a vida a levar certas coisas mais a sério. Dentre elas, a enxergar os verdadeiros amigos, e diferenciá-los dos meros “conhecidos”.
Então ele voou... primeiro para Sampa, onde passou pela fase de adaptação sem reclamar, sem jamais ligar se dizendo arrependido. Deve ter sido duro, mas todo o tempo ele demonstrava a certeza de que estava no caminho certo, a tranqüilidade de quem sabe o que quer. Pois bem... apenas alguns meses depois ele já estava inaugurando sua nova vida, com a “síndrome da enceradeira”, como tinha que ser. Claro que nenhuma caminhada é feita sem altos e baixos, pedras e buracos. Sem isso, qual seria a graça?
O mais importante é que, mesmo depois de tanto tempo “longe”, com CEP de outro estado, dormindo e acordando em outros países, ele ainda dá um jeitinho de se fazer presente, sempre que pode estar com os amigos, manter nossa amizade, nutrir o amor e admiração que sinto.
É claro que hoje ele tem toda uma vida em São Paulo, é meio paulista meio baiano, como gosta de dizer, e vem muito menos a Salvador que antes. Ainda assim, sempre que pode dá um jeito de aparecer para comemorar aniversário, formatura, e o que mais aparecer.
Por isso é que este amigo/irmão merece todo carinho que nutro por ele, porque sabe como ninguém como cativar amizades e cultivá-las.
Parabéns, meu amigo! Continue sua jornada nos ares com competência e serenidade, trilhando seu caminho, criando seu espaço, realizando suas conquistas.

domingo, 28 de setembro de 2008

A oncinha do Tokai



Olááá, pessoal! Quanto tempo?!
Andei ocupada, em mais uma mudança na minha vida, mas isso é assunto para um outro post... ou vários outros!
O assunto hoje é: Domingão, eu e meu Amor resolvemos começar a tarde dando uma volta pelo shopping e antes das compras, decidimos esperar as lojas abrirem batendo papo e saboreando o Menu Degustação do Tokai.
Para aqueles que ainda não sabem, eu adoro comidinha japonesa inventada por brasileiros. Todas as variações dos sushis, sashimis, hot rolls e etc.
Então lá estávamos os dois, casal apaixonado, jogando conversa fora, falando da vida, dos amigos, do trabalho, das viagens... Curtindo nosso domingo num restaurante tranqüilo apesar de cheio, e iniciando nossa degustação de sushis.
Bom, quem me conhece sabe que eu tenho esse defeito/qualidade de possuir um radar e prestar atenção a todos os demais seres humanos próximos, adoro estudá-los, analisá-los, admirá-los. Vejo o casal de velhinhos da mesa ao lado, ela animadíssima comendo um prato de yakissoba, enquanto o marido a olha com olhar pouco animado. O pai divorciado que leva a filha adolescente para comer peixe cru e passa todo o tempo ao celular com a namorada que ainda não assumiu para a família. O moço que saiu de casa para corajosamente almoçar sozinho, no shopping, num domingo.
Foi então que toda a minha atenção foi capturada por um ser com menos de 1,55cm, mais de 50 anos, cabelos tingidos de uma cor entre cinza e louro acobreado (vai entender as tinturas e seus efeitos...), barulhenta, falante, com um sotaque de algum estado nordestino, e a tirania digna de algum general do exército de Hitler. Ah, e a criatura trajava uma blusa semi transparente de oncinha.
Tudo começou quando ela insistiu que o garçom deveria mudar a posição das mesas do restaurante, de modo a comprometer a circulação, simplesmente porque a mesa maior oferecida, segundo ela, “estava muito pra fora” do restaurante. Iniciou-se então uma sucessão de episódios da mais pura falta de educação, todos devidamente registrados em minha memória (por um tempo mínimo, eu espero). Ao chamar o garçom ela fazia um barulho indescritível com a boca, algo parecido com “psiu psiu ei” e lá vinha o pobre sujeito para atendê-la, de cabeça baixa, mortificado. Em seguida, ela fazia uma descrição bem particular do prato que queria, algo assim: aquele salmon com arroz e verdura, ah, e aquele negócio por cima... e lá ia o infeliz decifrar que prato do cardápio correspondia àquela bizarra descrição. Ao terminar um prato (para minha infelicidade ela pediu vários...), a sujeita usava os dedos como faca, para colocar o restinho de comida no garfo, e em seguida lambia as pontas dos dedos. Visão do inferno. Ela até rebatizou o peixe de “tutra”, como ele já estava morto mesmo, não deve ter se importado. Não dá para descrever tão bem quanto eu gostaria, mas o pior era a maneira grosseira com que ela se dirigia a quem estava na mesa, aos funcionários do Tokai e até aos interlocutores ao telefone. Sujeitinha sem classe...
Mas, graças ao talento do sushiman do Tokai, a cada sushi degustado eu esquecia aquela aberração à minha frente, e me concentrava na explosão de sabores que cada peça tem. Finalizamos com uma sobremesa de banana, cream cheese e sorvete. Delícia.
E fomos felizes fazer nossas compras!

segunda-feira, 4 de agosto de 2008

Olimpíadas em Pequim

Já começou a enorme expectativa sobre os Jogos Olímpicos deste ano. E sobre onde eles irão acontecer: China.
Não sei vocês mas eu notei que desta vez não foram veiculadas campanhas do tipo: ”Beba um zilhão de refrigerantes e ganhe uma passagem com acompanhante para as Olimpíadas!” Ou “Compre com o cartão X e concorra a ingressos para os principais eventos esportivos em Pequim!”.
E somente posso encontrar uma justificativa para tanto: ninguém se anima tanto quando o mega evento dos esportes irá ocorrer num dos últimos redutos do fracasso socialista. País onde dá medo ir porque quem mora lá é a todo momento intimidado pelo Governo. Em que pese o fascínio pela cultura, artes marciais, até pela sabedoria milenar, sabemos que toda ditadura é burra. E, sendo assim, quem se arrisca? Eu não.
É claro que minha visão preconceituosa é influenciada pelos filmes, autenticamente produzidos e filmados em Hollywood. Tem um com Richard Gere que, depois de uma noite de amor com uma moça oriental lindíssima, ele acorda sendo acusado de assassinato. É preso e condenado (julgamento pra que?), passa por maus bocados na prisão e... bom, não vou contar o final do filme, mas digo com toda certeza, não vale a pena arriscar.
E fico assistindo aos coitados que foram a Pequim por força do ofício, falando em Olimpíada Verde... Morro de rir. Porque a capital chinesa é um exemplo de burrice, do que fazem por aqui os Jeca Tatus, que defecam no próprio pomar. A poluição por lá já alcançou níveis críticos faz tempo, e os atletas que podem dar-se este luxo recusaram-se a respirar o ar inóspito de Pequim. Abdicaram às medalhas, em prol de sua saúde.
Os atletas que foram, tentam adaptar-se à culinária, o monóxido de carbono e os sanitários (ou ausência deles).
Da minha parte, acompanharei algumas competições torcendo pelo Brasil do meu sofá, no conforto de minha casa, onde o chinês mais próximo é um bom rolinho primavera ou frango xadrez.
O vídeo abaixo explica, de forma bem humorada e sarcástica (bem à moda O Menino Que Voa)a inspiração para o símbolo dos Jogos Olímpicos em Beijing.

segunda-feira, 28 de julho de 2008

Fraldinha & Meinha


Desculpem-me mas não resisti. Tinha que ser este o título do post.
No último fim de semana presenciei um momento muito especial na vida de um casal de amigos. Eles firmaram compromisso, papel passado e tudo, de ficar juntos. O que mais me agrada nisso é que eles vivem uma típica história de amor moderna: um não precisa do outro. Um quer o outro. Um escolheu o outro.
E isso para mim é o que melhor define minha geração. Claro que por aí ainda perambulam Rapunzels e Cinderelas (pobres coitadas), uma com os cabelos imensos, para agüentar o peso do príncipe encantado, a outra com os pés deformados pelos sapatinhos de cristal, única forma de ser reconhecida pelo seu futuro eterno amor... Nossa, chego a sentir arrepios de repulsa!
A imensa maioria, no entanto, já se deu conta de que o gostoso é ter realidade, dia a dia, cotidiano como o descrito por Chico: “todo dia ela faz tudo sempre igual...”. Bom, nem tudo, senão vira monotonia. Então cada casal cria sua rotina, com suas peculiaridades – como Fraldinha e Meinha – e assim vão vivendo, felizes.
Por quanto tempo? Quem liga pra isso?! O legal é justamente saber que, como dito lá no início, cada um está com o outro porque QUER. Não porque depende financeiramente, não porque sem o outro se joga do décimo andar. Porque é gostoso, porque se curtem, têm afinidades, diferenças, amor, brigas e no final fazem as pazes. E que delícia fazer as partes depois de uma birra!
Amor hoje é isso, cumplicidade, parceria. As famílias não tem “chefe”, tem um casal, que contribui para o bem estar comum, seja com ambos sendo devorados pelo mercado de trabalho, seja com um trabalhando e o outro dando duro em casa. Temos a liberdade de escolher e isso é fantástico.
Não acredito que a mulher precise ser workaholic para ser valorizada, basta que ela seja inteligente, bem humorada, tenha auto-estima para gostar mais de si do que de um casamento fracassado.
Assim como não basta o homem ter um contracheque para “mandar” na casa. Afinal, quem decide como gastar o dinheiro são as mulheres... Então cabe a eles hoje ter também o nosso jogo de cintura, o jeito manso de falar com voz rouca quando quer convencer o outro a comprar algo mega supérfluo mas indiscutivelmente necessário.
Que maravilha! Viva a igualdade, desigualdade, diferenças, semelhanças entre homens e mulheres. E a liberdade de sermos o que quisermos, porque vivemos no século 21 e a liberdade de se permitir ser é maior que a obrigação em parecer o que não é.
Aos meus amigos, infinita felicidade, que Fraldinha e Meinha passem muitas noites juntos se amando!

domingo, 6 de julho de 2008

A Lei da Vida

A discussão continua sobre a Lei Seca. Aliás, este nome já transmite a idéia de uma Lei arbitrária, e que, portanto, “não deve pegar”. Como dito no blog anterior, discordo. Acredito que o batismo dado pela impressa já demonstra a maneira tendenciosa como este tema está sendo tratado. Os principais meios de comunicação continuam a fazer toda sorte de testes com o bafômetro. Outro dia pegaram três cidadãos e colocaram um para tomar cerveja, outro comeu sete bombons com licor, e outro bochechou com enxaguatório bucal. O resultado? O óbvio. Somente o que efetivamente consumiu a bebida alcoólica não passou no teste.
Surgiu ainda uma Ação judicial movida pela Associação de Bares e Restaurantes – pessoas obviamente mais interessadas no bem estar da população que em seus lucros com venda de bebidas alcoólicas – para declarar a inconstitucionalidade da Lei. Vejam a que ponto chega a referida Associação, ao tratar do assunto: “Além de instituir um clima de terror, experiências anteriores em outros países de proibições extremas demonstram que as conseqüências são desastrosas, como foi o caso da Lei Seca nos EUA, que ao invés de resolver o problema proposto, gerou efeitos colaterais terríveis para a sociedade, como o fortalecimento do crime organizado, aumento da violência e da corrupção.” ( Fonte: http://www.abrasel.com.br/index.php/atualidade/item/4421/ )
Caríssimos, a mencionada Lei Seca americana vigorou por 14 anos, após aprovação de Emenda Constitucional, e determinava a proibição das bebidas alcoólicas de forma ampla. Tornou-se crime a fabricação, venda, transporte, importação e exportação de bebidas alcoólicas em toda a área dos Estados Unidos e dos territórios judicialmente submetidos a eles. Então a Abrasel que me desculpe, mas esta comparação mostra-se, além de absurda, de uma ignorância lamentável. Para não dizer que trata-se de evidente tentativa de manipulação na formação de opinião, o que seria criminoso quando o objetivo real da Lei é preservar a VIDA. Não está proibido o consumo de bebidas aos cidadãos brasileiros, o que se proibiu e com muita propriedade, é que o cidadão beba e dirija.
Seguindo em frente, vi uma reportagem com enólogos, tementes por seus empregos. Eles cheiram e saboreiam diversas amostras de vinho todos os dias, como parte de seu trabalho. Depois entram em seus carros e retornam às suas casas. Pois bem, feito o teste do bafômetro, inicialmente logo após um enólogo tão somente bochechar um vinho, sem ingerí-lo. Teor alcoolico de 0,2. Numa blitz, ele teria problemas. No entanto, poucos minutos depois, feito novamente o teste, novo resultado: 0,0. Conclusão: basta esperar alguns minutos após a última degustação, antes de pegar o volante.
Mas a matéria mais interessante foi com os profissionais da saúde. Os acidentes caíram consideravelmente nas duas últimas semanas, o que traz otimismo quanto à eficácia da nova Lei. Médicos e socorristas das ambulâncias comemoravam a redução de ocorrências. Então, por que não rebatizar a Lei para chamá-la de Lei da Vida?! Fica a minha sugestão.
Ontem à noite saboreei um delicioso salmão com molho de maracujá, regado por vinho tinto e muita conversa boa. Estava em casa, portanto não corria risco nenhum. Quem estava dirigindo não bebeu. E, para finalizar este post, em homenagem a minha amiga e seu noivo gaúcho, aqui está o vídeo mencionado em nossa conversa... Ele não atropelou ninguém! E atenção especial para o cofrinho...